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Leopard 2 a5 1/35 - Revell

Um xodó dos modelistas chega numa versão atualizada.

Bruno Cascapera 

Os tanques da família Leopard são daqueles “indispensáveis” para uma marca. Entre todas as variações de modelos e escalas, temos modelos da Heller, Dragon, Italeri, Tamiya, Arii, Kitech, Testors, Amt, Esci, Airfix, Academy, Hobby Boss, Macht Box, Meng, Hasegawa... e o Revell, que será avaliado na matéria. O modelo em questão, o Leopard 2 a5 (NL), é a terceira re embalagem do modelo a6/a6n de 2012, com adição de novas peças em 2015. Ou seja, um kit bem recente, de grandes expectativas. O modelo de 2012 (cinco anos nesse hobby não é nada) recebeu em 2015 as peças necessárias para a conversão para a versão holandesa do tanque.

O modelo é molde próprio da Revell, e traz consigo o DNA da “Nova Revell”, pós aquisição da Hobbico, uma Revell de kits modernos, bem embalados e de padrão de montagem bastante sofisticado e eficiente. A marca sinônimo de plastimodelismo no mundo só foge do topo das melhores marcas de kit devido à insistência de re-embalar kits muito antigos e defasados, e também por re-embalar modelos de outras marcas que às vezes não possuem o mesmo padrão de qualidades deles próprios.

Avaliamos esse kit que é um xodó dos modelistas de tanques, quase uma unanimidade. Sem dúvida a marca alemã levou esse projeto com carinho para agradar seus compatriotas e admiradores do tanque no mundo todo. A concorrência para ele é muito dura. Muitos modelos de Leopard 2 já foram lançados, entre os baratos e eficientes Hobby Boss, o Tamiya (que apesar de antigo, ainda envelhece bem com o tempo e tem seu charme), o Meng que traz uma cultura do super detalhamento e montagem impecável num preço não muito amistoso, e o Italeri/Academy, um modelo requentado dos anos 80 e um tanto problemático, mas que pelo baixo preço que se encontra, ainda abocanha uns modelistas.

Unboxing

O kit na caixa é muito bonito e atrativo. A nova arte da caixa padrão Revell não é tão elegante e marcante como o modelo anterior, mas não deixa de ser moderna e bonita. Os impressos feitos por gráfica própria são bonitos e delicados, incluindo uma folha muito bem impressa (da qual falaremos mais tarde), um manual colorido muito intuitivo e com alguns poucos erros de numeração de peça, pecando um pouco na parte da carta de pintura. As peças na árvore se apresentam de ótima qualidade. Um nível de detalhamento bastante adequado, com o kit “picado” na medida certa, nem exagerado demais, nem simples demais. Na medida para os clientes de militaria de hoje que curtem uma “caixa recheada de pecinhas”, mas sem cometer exageros e quase nenhum over-part.

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O plástico do modelo é de uma resina moderna não muito duro, bom para trabalhar, mas que reage mal a diluentes fortes e um pouco quebradiço também. Creio que não seja o mais apropriado, pois algumas peças delicadas já vieram quebradas na caixa.

As esteiras e algumas peças adicionais como cabos e para-lamas são feitos em vinil bem mole.

A Revell ainda nos presenteia com um arame metálico para a fabricação das antenas “maria mole”, mas o meu arame chegou tão amassado, que foi impossível endireitar, acabei por descartá-lo da função.

Montando o Kit

O Leopard é um modelo de blindado bastante sofisticado, com uma conformação toda justa e funcional, compacto em alguns aspectos, robusto em outros. Mas no geral, seu layout é comum entre os blindados. E com tantos modelos de kit dele no mercado, os problemas de arquitetura do modelo em escala deviam estar ultrapassados. Pelo menos é o que penso, ninguém vai “soltar” um kit novo no mercado cometendo as mesmas gafes que os modelos lançados em anos anteriores, pelo menos deveriam ser assim...

           

A Revell tentou fazer o seu melhor e alcançou algum sucesso. Ficou claro o esforço da Revell em reproduzir o máximo possível de detalhes do modelo em relação ao tanque real, tornando-o delicado, sem perder a praticidade da montagem. A experiência de montagem é muito boa. A arquitetura do modelo é bastante funcional, sem nenhuma passagem muito difícil ou algo que seja reservado apenas para os mais experientes, embora eu recomende o modelo para aqueles que já têm alguma experiência com kits, não é um modelo apropriado para iniciantes.

O modelo alemão, de um tanque alemão, honra a nação germânica com uma montagem sem malícia nenhuma, tudo (ou quase tudo) correndo dentro dos trilhos, como um germânico gostaria que fosse.

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Ao contrário de outros fabricantes, a Revell descartou o uso de peças em photo-eched e investiu em impressões bem feitas em um plástico delicado, que resolve os clássicos problemas do photo-eched, como as grades do motor que nesse modelo foram resolvidos no plástico mesmo. Bingo! Ponto pra Revell. A qualidade da impressão das peças é exemplar, sem comprometer a praticidade de não ter materiais divergentes no modelo. Tudo isso avaliando um modelo standart, “out-of-box”, ou “de fábrica”. Detalhamentos extras feitos por marcas paralelas podem tornar o modelo ainda melhor.

O modelo é muito bom. Algumas falhas aparecem no modelo, nada que compromete a montagem de forma grave, mas são coisas que não esperamos encontra em modelos tão recentes.

           

O encaixe das laterais do chassi ou do “hull” como chamamos apresentou falhas, como “gaps” muito grandes gerando fendas, peças que precisaram ter seus mecanismos de encaixes removidos e sua colagem repensada e, o mais grave disso é que tais fendas aparecem em lugares bastante visíveis e cheios de detalhes em seu entorno, ou seja, difícil de solucionar com funilaria. A impressão é que faltou meio milímetro de plástico em alguns lugares.

Outra falha um tanto desagradável foi a diferença entre o cubo das suspenções e as rodas. Um problema recorrente em modelos de tanque, mas que nos últimos anos estava sumindo dos novos modelos. Mas nesse as rodas simplesmente não se encaixavam com a suspenção. Em quase todos os pinos foi necessário desbastes e tratamentos. Pelo menos é um Leopard, com uma suspensão moderna, e não um King Tiger da segunda guerra...

As esteiras, assim como os cabos de aço, vêm num vinil super molinho como já foi comentei. O fato de não haver uma esteira “link-by-link” nesse modelo chega a ser um alivio. Eu considero desnecessário para o Leopard já que o tanque de verdade possui um sistema bastante eficiente para manter as lagartas sempre bem esticadas, como uma corrente de bicicleta. E esteiras link-by-link são mais apropriadas para modelos de tanques que possuem caimento nas esteiras.

Particularmente, não tive problemas com essa esteira, assim como com os cabos de aço. Já com o para-lama nesse material, esse sim eu achei uma porcaria, desnecessário... Como disse não tive problemas com as peças em vinil, mas o material escolhido me pareceu muito delicado e frágil demais. Acredito que modelistas mais descuidados ou incautos em relação a colas mais agressivas, podem ter problemas em lidar com um material de aspecto tão frágil... Sem contar que cada lagarta possui duas emendas, se uma só não bastasse para chatear...

           

O problema mais grave que eu encontrei no modelo foram as decais. Decais guardada por muito tempo mesmo protegidas se degradam com o tempo e não podemos culpar o fabricante. O modelo em questão foi embalado nesse ano e adquirido há pouco tempo, ou seja, dentro da validade. No entanto vários decais racharam com água precisando ser substituídos. O trauma só não foi maior porque a quantidade de decais a serem colados é pouca e algumas marcações nesse modelo foram feitos com máscara e aerógrafo. Mas vale o aviso para decais novos da Revell.

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Pintura, efeitos e acabamento

Esse modelo é mais uma parceria entre Blog do Chiquito e tintas Pr-colors. E como não poderia ser diferente, o modelo foi todinho pintado com tintas duco e acrílico Pr-Colors. A começar pelo primer acrílico.

A pintura desse modelo é a clássica camuflagem Otan anos 90, nas cores Nato Brawn, Nato Green e Nato Black. Essa camuflagem gera pouco contraste, e depois que o tanque se mimetiza na natureza a camuflagem se torna bastante sutil. Por isso, a técnica de pintura utilizada nesse modelo é um pouco fora do comum. Ele foi inicialmente pintado com três cores mais claras respectivas as cores originais, para que os efeitos de shadding e sombra fossem feitos. Quase a antítese do pré-shading ou do black-basing, que se utiliza de tonalidades mais escuras como ancoragem. Depois, através de filtros no aerógrafo, vamos escurecendo a pintura até chegarmos à cor adequada.

Os poucos descascados na pintura foram feitos com esponja seca. A pintura ainda possui uma série de filtros e efeitos de clima feitos com tinta óleo. A lama na roda foi feita através do uso combinado de pigmento Mig e fixador de pigmento, tudo sobre uma camada fina de verniz fosco acrílico Pr-colors. Para fins de “pó”, é recomendado o uso de pigmento direto sobre o verniz fosco. Mas para o efeito de lama, o uso de fixador é muito apropriado. O modelo ainda recebeu uma fina camada de poeira no aerógrafo com tinta duco.

Algumas luzes e reflexos foram feitos com lápis aquarelável.  E para finalizar, uma rede de camuflagem feita com gaze tingida em tinta acrílica. Mais detalhes da montagem será divulgado em breve, em vídeo, no canal do Blog do Chiquito no Youtube.

Conclusão

A Revell trouxe um bom kit ao mercado. Boa montagem, bem arquitetado, mais predicados do que defeitos, com um resultado final vistoso. Mas não deixa de ser mais do mesmo. Mais um Leopard no mercado, e nada mais, a novidade mesmo são as versões holandesas do tanque. A Revell focou esse lançamento nos concorrentes próximos, como o defasado modelo da Tamiya ou os modelos Hobby Boss. É concorrido, mas todos acabam tendo mercado. Para agravar esse cenário, recentemente a marca de modelos de altíssima qualidade, a Meng, lançou sua versão mega detalhada de Leopard 2, bem mais caro e pretenciosa.

Pelo menos, o “mais do mesmo” deles é muito bom, divertido e lançado num preço razoável (cerca de 30 Dólares, o mesmo preço dos Hobby Boss, metade do preço dos Mengs). A opção é válida, a Revel fez sua lição de casa direitinho nesse kit. Aprovado.

Sobre o Tanque Leopard 2

Leopard 2 nasceu resultado de uma ação conjunta entre EUA e Alemanha (ocidental) para projetar o sucessor do tanque Leopard dos anos 60. Para a Otan, era importante que a Alemanha estivesse bem equipada para caso de embate com os soviéticos, e com isso, não pouparam esforços para projetarem um dos mais modernos veículos militares de seu tempo. Em 1979, sob a bandeira da KMW (Kauss-Maffei-Wegmann, marca alemã especialista em veículos militares) o Leopard 2 foi colocado em serviço.

Contando todas as versões do Leopard2, mais de 3400 unidades foram construídas, e fornecidas a doze países europeus, mais Canada, Cingapura e mais recentemente Chile.

Nos anos 90, novas modificações na eletrônica, armamento e blindagem fizeram nascer a versão A5 (versão montada nessa edição). A versão A5 tinha um novo canhão, novos sistemas de mira, uma nova disposição da tripulação dentro do veículo, mas a mudança significativa visível estava na blindagem. O tanque ganhou nessa versão sua característica blindagem cônica, composta de várias camadas de materiais metálicos e compostos, havendo ainda espaço entre essas camadas, para aumentar a eficiência contra projeteis de carga oca ou de efeito cinético.

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