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QUESTÕES BÁSICAS EM PLASTIMODELISMO

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José Luiz Affonso e Alcides Diniz Garcia Jr

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Nossa Revista Hobby News comemorou seus 15 anos de existência na edição de nº 83 e, desde então, temos cogitado diversas formas de trazer aos novos leitores e plastimodelistas menos experientes uma visão didática sobre como começar no hobby e aproveitar bem os kits e materiais que estão disponíveis no mercado para que consigam obter modelos cada vez melhores em termos de montagem e acabamento, sem deixar de dar, também, informações aos praticantes que estão há mais tempo “na estrada” do plastimodelismo. Quando se pensa no que é um “modelo de boa qualidade”, vem à mente várias coisas como: modelo bem pintado, bem construído, com envelhecimento adequado etc. Se todas essas características forem atingidas em grau adequado, o resultado final será uma réplica convincente do objeto ou personagem real quando comparado a fotos existentes ou ao próprio tema retratado. Sem tentar esgotar o assunto, indicaremos alguns pontos que podem ajudar os praticantes na montagem de modelos convincentes e que propiciem satisfação àqueles que os montam.

A escolha do kit

Os fabricantes e lojistas oferecem milhares de opções de modelos de aeronaves, veículos civis e militares, embarcações, figuras etc. que, literalmente, “se atiram” sobre quem vai a uma loja física, visita uma loja virtual ou um sítio de fabricantes, seja por seu preço atraente, seja por seu bom aspecto após montado como peça de catálogo. Para evitar comprar por impulso kits que nunca vai montar, procure por modelos que atendam, ao menos, à parte das seguintes condições:

  • Sejam representações de objetos ou personagens de seu interesse;
  • Tenham uma complexidade de montagem que esteja próxima de seu nível de habilidade, mas que, ao mesmo tempo, possam servir como algum desafio para a realização de um bom trabalho;
  • Estejam reproduzidos em uma escala que facilite sua montagem ou que seja sua escala favorita para aquele objeto ou personagem;
  • Tenham um nível de detalhamento adequado ao resultado pretendido ao término do projeto;
  • Apresentem uma relação custo x benefício conveniente a seus propósitos; e
  • Tenham garantia de entrega em prazos que atendam às suas necessidades.

Felizmente, ao longo do tempo a qualidade média dos kits disponíveis melhorou muito, o que tende a facilitar o processo de escolha na hora da compra, mas é claro que os critérios indicados acima são de caráter apenas sugestivo, cabendo a cada plastimodelista determinar o que lhe é mais conveniente.

Verificando e organizando seu local de montagem

É fato que a grande maioria dos plastimodelistas gostaria de dispor de uma oficina dedicada exclusivamente às suas montagens, sem interferências com as demais atividades de sua casa com seus modelos. Entretanto, boa parte dos praticantes do hobby tem restrições com relação ao espaço que pode utilizar, bem como aos períodos em que ele está disponível para a prática do hobby, sem interferir nas demais atividades das pessoas que compartilham seu uso. Independente das dimensões e da possível exclusividade de uso, todos os locais de montagem deveriam ter as características indicadas a seguir, tendo em vista a segurança e comodidade de todos.   

Características desejáveis do local de montagem

Na área destinada aos trabalhos de montagem, pintura e acabamento dos modelos, é importante que se possa:

Dispor de áreas de apoio adequadas ao tamanho e quantidade de modelos em montagem;

Ter iluminação suficiente para trabalhar confortavelmente e ter balanceamento adequado para possibilitar a visualização correta das cores das tintas, no caso de iluminação artificial;

Contar com pontos de tomada de energia elétrica suficientes para conectar todos os equipamentos, evitando o uso de “TÊS” ou outras derivações;

Estar com acesso a ponto de água corrente para facilitar a limpeza/lavagem das peças do modelo e remoção de resíduos das etapas de lixamento;

Possuir ventilação adequada para minimizar a exposição das pessoas no local e imediações a vapores e névoas de tintas e solventes;

Permitir que as peças e os modelos em elaboração sejam armazenados com segurança entre as diversas etapas da montagem deles; e

Localizar de maneira rápida e eficaz peças, materiais e ferramentas necessários aos trabalhos.

Cada modelista vai acabar encontrando uma solução de compromisso que o atenda em cada momento de sua prática no hobby, evoluindo no sentido de adequar seu espaço de trabalho às suas necessidades de montagem e condições financeiras.

Materiais e ferramentas sugeridos

Além das condições de espaço físico, o modelista necessita de diversos materiais e ferramentas para a realização de seus kits de maneira satisfatória. Tais itens devem ser adquiridos com a maior qualidade possível em função de se obter desempenho e durabilidade adequados. Sugerimos, a seguir, uma relação de materiais e ferramentas que não precisam ser adquiridos de uma única vez e que pode ser ampliada ou reduzida de acordo com as necessidades individuais:

  • Estiletes e lâminas de reposição;
  • Alicate para corte e separação das peças das árvores de injeção;
  • Lixas d’água, esponjas abrasivas (granulação 280 a 600; se possível, até 2.400);
  • Jogo de limas agulha (redonda, meia cana, plana, triangular etc.);
  • Régua metálica com escalas em milímetros e polegadas ou escala para verificação das dimensões das peças;
  • Brocas com diâmetros de 0,4, 0,5, 0,6, 0,7 e 1,0 mm e porta-brocas ou mandril manual (do tipo utilizado em ourivesaria ou relojoaria);
  • Pinças para pegar e apoiar peças pequenas durante sua colagem;
  • Guias metálicas para trabalhos de corte e risco/recuperação de linhas de painel do modelo (scribing);
  • Espátula maleável para aplicação de massas plásticas (putty);
  • Lamparina a álcool ou outra fonte de calor para confeccionar peças de plástico estirado a partir de árvores de injeção e chapas de plástico (stretched sprue e stretched forming, respectivamente);
  • Colas para modelismo (cola em tubo, cola líquida, cola branca, cianoacrilato, epóxi de dois componentes etc.);
  • Folhas de poliestireno com espessuras de 0,25, 0,5 e 1,0 mm, para a confecção de pequenas peças e fechamento de vãos entre partes do modelo que não tenham bom ajuste;
  • Massas plásticas específicas (putty) para vedação de fissuras;
  • Massas para polimento (compound);
  • Soluções para melhorar a aplicação dos decais (tipos “Set” e “Sol”);
  • Materiais para fixação das peças durante a colagem e pintura (fitas adesivas, prendedores de roupa, elásticos etc.);
  • Recipientes para deixar as árvores do modelo de molho em detergente neutro;
  • Pincéis redondos nº 0 a 12;
  • Pincéis quadrados nº 2 a 16;
  • Pincel fino e macio para aplicação de cola líquida;
  • Pincel de cerdas duras para aplicação de massas plásticas (putty) diluídas;
  • Aerógrafo e compressor (se possível);
  • Tintas e solventes compatíveis;
  • Conta-gotas e recipientes para misturar e diluir tintas e vernizes;
  • Pissetas de polipropileno para os diluentes das tintas;
  • Fitas adesivas e outros materiais para mascaramento (Durex, fita crepe, masking tape, máscaras líquidas etc.);
  • Folhas de decal incolor (transparente) e de cores sólidas;
  • Palitos de dente, palitos para sorvete, algodão, cotonetes, papel toalha, guardanapos de papel e outros materiais de uso doméstico que possam ser de utilidade.

Recomendamos que os materiais menos duráveis (colas tipo cianoacrilato, massas plásticas, máscaras líquidas, tintas etc.) sejam adquiridos em quantidades que permitam seu consumo dentro do prazo de validade. Para complementar, há diversas informações técnicas sobre materiais e ferramentas para plastimodelismo na internet

 

Começando a montagem

Ao abrir a embalagem, procure ler com atenção as instruções de montagem, onde, nos kits mais atuais, costumam estar indicadas as árvores das peças e eventuais exclusões para cada variante oferecida, além das opções de montagem, pintura e aplicação de decais.

Se o modelo for de maior complexidade para seu nível de habilidade, pode ser que convenha tirar cópia das instruções e anotar nelas suas observações e outros comentários que considere importante lembrar, durante as etapas de montagem, pintura e acabamento do modelo. Dessa forma, as instruções originais de montagem serão preservadas para eventuais novas cópias em caso de perdas ou danos nas primeiras cópias com anotações.

Verifique se todas as peças indicadas no manual de montagem estão presentes e se estão injetadas sem defeitos importantes ou deformações (por exemplo: injeção incompleta, empenamentos severos, bolhas, dobras, rebarbas grandes etc.).

Como mesmo os kits de melhor qualidade não podem dispensar a utilização de desmoldantes durante as etapas de injeção das peças, é conveniente que as árvores sejam deixadas de molho por cerca de 30 minutos em uma solução de 1 (uma) colher de chá de detergente neutro em 1 (um) litro de água, ligeiramente escovadas com escova de dentes macia e secas naturalmente em local protegido de poeira.

Após a secagem, é melhor que as árvores e peças injetadas em material transparente sejam separadas das demais peças do modelo e protegidas contra riscos e outros danos, sendo envoltas em guardanapos de papel, papel toalha ou outro tipo de papel macio, até o momento de sua utilização na montagem.

Preparação das peças e pintura preliminar

Comece a preparação das peças pela correção dos defeitos mais aparentes como marcas de ejeção, marcas de contração e remoção das rebarbas, o que pode ser feito com o uso de limas, lixas, abrasivos e massas plásticas. Se possível, mantenha as peças menores nas árvores de injeção para evitar sua perda. As peças devem ser removidas das árvores com auxílio de alicate de corte ou estilete, tomando cuidado para deixar um pequeno excesso para ser removido ao invés de correr o risco de “comer” parte da peça com a consequente necessidade de posterior correção com massa.

Nessa fase já se pode optar pela pintura das peças de pequenas dimensões e das partes que ficarão com acesso mais difícil no interior do modelo durante a montagem. As peças pintadas que ainda estiverem presas às árvores precisarão ser retocadas nos pontos de fixação quando de sua utilização na montagem.

IMPORTANTE: nessa etapa, e em todas as demais, sempre que for necessário aplicar massa plástica ou efetuar remoção de material das peças por qualquer meio, as superfícies que não necessitem de intervenção deverão ser protegidas para evitar danos nas linhas demarcadoras dos painéis em relevo do modelo, uma vez que aquelas que forem danificadas ou removidas deverão ser refeitas durante a montagem.

Montagem a seco

É muito importante verificar os ajustes entre as diferentes peças de cada subconjunto, e mesmo de vários subconjuntos entre si, antes da fixação definitiva das peças, visando a minimizar a necessidade de masseamento e lixamento das emendas.

Para tal, as peças devem ser encaixadas e mantidas temporariamente em posição com auxílio de fitas adesivas, grampos de fixação, elásticos etc. Nessa fase é possível observar se os ajustes estão adequados e, caso não estejam, realizar as correções neles por meio de lixamento, introdução de folhas plásticas ou previsão para a necessidade de preenchimentos dos vãos com massa plástica.

Nessa etapa da montagem é muito importante verificar e corrigir, se necessário, as inclinações entre as partes e subconjuntos, bem como a simetria do modelo.

Colagem e masseamento

Feitos os ajustes na montagem a seco, pode-se passar para a colagem definitiva das peças.

Normalmente a sequência de montagem proposta na folha de instruções é adequada e deve ser seguida, a menos que existam alguns detalhes de aplicação de peças mais frágeis, tais como espelhos retrovisores, antenas, tubos de Pitot etc., que é melhor deixar para a parte de finalização do modelo.

Neste artigo abordaremos apenas a colagem das peças confeccionadas em poliestireno do modelo, deixando para outra oportunidade as peças e acessórios em resina, metal fotogravado e outros materiais que são fornecidos em alguns kits mais sofisticados, ou que são comprados como acessórios ou partes de complementação ou conversão do kit original do fabricante, por demandarem a aplicação de técnicas de colagem mais específicas em termos de tipos de adesivos e preparação das peças para a fixação. Para modelos com todas as partes em poliestireno, a melhor opção de colagem consiste na utilização das colas líquidas à base de solventes que fundem as partes a serem unidas, resultando em uma junção forte e, normalmente, bem acabada.

Sua utilização é relativamente simples e pode ser feita, após a realização do encaixe das peças, com auxílio de um pincel fino molhado na cola que será encostado na região a ser colada, escorrendo por capilaridade entre as superfícies a serem aderidas. Imediatamente após a aplicação da cola, deve-se comprimir as partes e mantê-las unidas com o auxílio de fixadores, elásticos ou fitas adesivas, até a cura da cola. As peças transparentes podem ser coladas com cola líquida ou com cola branca à base de PVA, dependendo das dimensões da peça e se a região de colagem será mantida transparente ou será pintada, uma vez que a cola líquida pode diminuir a transparência nos locais onde for aplicada.

Após a cura da cola, as linhas de emendas devem ser inspecionadas para verificar se será necessária a remoção de excesso de plástico delas ou aplicação de massa plástica para a vedação de eventuais falhas. O excesso de material nas junções pode ser retirado com o contrafio da lâmina de um estilete, seguido por lixamento, enquanto as falhas em que se aplicou massa plástica devem ser manuseadas apenas após a cura da massa, trabalhando com limas e lixas adequadas ao acabamento desejado.

Após essas etapas, convém lavar ou limpar muito bem as superfícies do modelo para remover todos os resíduos do lixamento e de gordura decorrente de seu manuseio. Após seco o modelo, é usual a aplicação de uma camada de pintura de base (primer), em cor clara, destinada a regularizar as superfícies e permitir uma boa adesão das camadas de tinta da pintura da decoração escolhida. Antes da aplicação, pode ser necessário proteger partes do kit, seguindo as orientações do item Mascaramento.

Se forem obervadas pequenas imperfeições, volta-se a massear, lixar e aplicar a tinta base no modelo, até que se obtenha um acabamento satisfatório.

Mascaramento

Após devidamente masseado, lixado e com a camada de tinta base, o modelo está pronto para a pintura, que normalmente é precedida pelo mascaramento das partes que não devem receber tinta em alguma(s) das fases de pintura.

Dependendo da decoração escolhida e do tipo do modelo, a pintura pode ser mais ou menos complexa para ser realizada e pode envolver mais de uma etapa de mascaramento. Além disso, é importante considerar que há modelos que podem ser montados e pintados em subconjuntos de dimensões maiores que são acoplados durante as fases finais da construção do modelo, como é o caso de vários kits de veículos terrestres, enquanto outros modelos devem ser “fechados” bem antes da etapa de pintura, como é o caso de aeronaves. Assim, dependendo do modelo, o mascaramento poderá ser mais ou menos simples. Há diversos materiais que podem ser utilizados no mascaramento das partes a serem protegidas, mas todos eles devem ser de fácil aplicação e conformação às superfícies e cavidades do modelo, bem como devem ser capazes de vedar adequadamente os locais protegidos e serem de remoção relativamente fácil, sem danificar as camadas de pintura previamente aplicadas.

Dentre os materiais de uso mais frequente podem ser citados as fitas adesivas de baixa aderência (masking tape), máscaras líquidas, papéis macios para uso associado com as fitas adesivas, papel higiênico (que pode ser usado úmido para preencher cavidades) etc. As máscaras líquidas devem ser aplicadas cuidadosamente com pincel de tamanho adequado, enquanto os demais podem ser recortados com tesouras ou estiletes para obtenção de ajustes adequados ao modelo.

O mascaramento deve ser aplicado com cuidado e precisão nas áreas a serem protegidas das tintas e vernizes e as máscaras devem ser removidas assim que a pintura estiver parcialmente seca, para evitar que apareçam descascamentos, trincas ou defeitos nas áreas de emendas das camadas de tinta entre o modelo e o material de mascaramento. Quando for necessário mascarar áreas que já estejam pintadas, é fundamental ter a certeza de que a tinta está devidamente curada para evitar o risco de sua remoção no momento da retirada do material de mascaramento.

Pintura

Consiste em uma sequência de aplicações das cores que definirão o aspecto geral do modelo e pode ser realizada com pincéis, latas de tintas em spray, pulverizadores ou aerógrafos. Cada uma dessas alternativas apresenta vantagens e desvantagens com relação aos materiais e equipamentos requeridos para sua aplicação, facilidade para a pintura de superfícies grandes, tempo para a realização da pintura, custos, dentre as mais importantes.

Atualmente, a utilização de aerógrafos para a pintura dos modelos se transformou, praticamente, em regra. Parte dessa situação se deve à maior oferta de aerógrafos e compressores de boa qualidade e durabilidade destinados ao modelismo, com preços bem mais baixos do que tínhamos há 10 ou 15 anos.

Os aerógrafos são ferramentas de precisão e pedem uso cuidadoso e limpeza minuciosa para serem aproveitados em todo o seu potencial, o que leva muitos praticantes a terem problemas em sua utilização por falta de orientação e treinamento. Por outro lado, se adequadamente operados e mantidos, permitem trabalhos de elevado grau de qualidade, sem o risco de superaplicação de tintas e vernizes que ocultem as linhas de relevo dos kits.

Por outro lado, ainda há modelistas com habilidade tão desenvolvida na utilização de pintura com pincéis que conseguem resultados que rivalizam com qualquer bom trabalho executado com aerógrafos. Dessa forma, cabe a cada praticante do hobby experimentar as diferentes opções de pintura antes de se definir por uma delas, ou mesmo por uma “mistura” das opções, dependendo do que pretende obter como resultado no modelo. A escolha do tipo de tinta a utilizar depende da técnica de pintura selecionada pelo modelista, mas, de maneira geral, a maior parte das tintas disponíveis para o plastimodelismo se presta para aplicação com aerógrafos ou pulverizadores, desde que adequadamente diluídas com os solventes indicados pelos fabricantes.

Tipos de tintas mais usuais

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Ao escolher os tipos de tinta para aplicação no modelo, deve ser considerado que algumas delas podem dissolver parcialmente as previamente aplicadas, arruinando parte do trabalho já realizado. Se tiver dúvidas quanto ao risco, teste-as em sucatas de plástico ou em partes do kit que não serão utilizadas.

  • Pintura geral e acabamento
  • Esmaltes sintéticos (Enamel)
  • Aplicáveis com pincel, quando diluídas em aguarrás ou terebintina, e com aerógrafo com os mesmos diluentes ou tíner; secagem entre 3 e 12 horas
  • Tintas acrílicas (Lacquer)
  • Aplicáveis com aerógrafo, diluídas com tíner; secagem entre 1 e 6 horas
  • Lacas nitrocelulósicas (Duco)
  • Aplicáveis com aerógrafo, diluídas com tíner; secagem entre 1 e 6 horas
  • Tintas acrílicas à “base de água”
  • Aplicáveis com pincel ou aerógrafo; podem ser diluídas com água, álcool etílico ou isopropílico e tíner; secagem entre 1 e 12 horas
  • Vernizes com acabamento brilhante, semifosco ou fosco específico para cada tipo de tinta descrito anteriormente
  • Acabamento
  • Tintas a óleo
  • Aplicáveis com pincel, quando diluídas em aguarrás ou terebintina; secagem acima de 12 horas
  • Tintas à base de água em tubos, lápis aquareláveis e aquarelas
  • Aplicáveis com pincel; podem ser diluídas com água; secagem entre 1 e 12 horas
  • Giz pastel seco ou oleoso

Normalmente a pintura do modelo deve se iniciar pelas tonalidades mais claras, prosseguindo pelas cores mais escuras, atentando que algumas tintas são mais transparentes que outras e que isso pode alterar o resultado final.

A pintura deve ser aplicada em camadas finas, e cada demão deve estar adequadamente seca antes da aplicação da seguinte. Dependendo da tinta escolhida e do modelo em montagem, pode ser interessante realizar uma etapa de lixamento ou de polimento entre cada camada de tinta.  As tintas podem ter três tipos de textura após sua cura: brilhante (gloss), semifosco (satin) e fosco (flat) e a escolha de cada tipo para a pintura do modelo depende do objeto que está sendo representado. Quando o modelo for receber decais em sua caracterização, é melhor que seja pintado com tintas brilhantes ou, caso as cores necessárias não estejam disponíveis com essa característica, devem receber uma leve camada de verniz brilhante para melhorar a aderência das decais.

Aplicação de decais

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Folhas de decais (ou decalcomanias) são fornecidas com os kits para complementar sua caracterização, mas também há larga variedade de decais fabricados por empresas especializadas e que permitem a realização de decorações e versões menos contempladas pelos fabricantes de kits.  Dependendo do fabricante, a folha de decais pode apresentar opções para mais de uma versão do modelo e sua escolha para aplicação deve ser feita com cuidado para não errar na versão que está sendo montada.

As decais devem ser sempre protegidas de calor, luz excessiva, umidade e armazenadas sem serem dobradas, pois podem ser estragadas com facilidade em função de sua fragilidade. Sua aplicação ao modelo não costuma ser muito difícil, mas requer atenção e cuidado para a obtenção de um resultado final convincente. Antes de qualquer coisa, lembre-se de que as decais aderem melhor sobre superfícies lisas. Sua aplicação sobre superfícies semifoscas ou foscas leva ao aparecimento de microbolhas entre a superfície do modelo e a parte inferior do filme da decal (silvering), de correção muito trabalhosa. Assim, sempre que possível, as superfícies do modelo que receberão decais deverão estar com pintura brilhante.

As decais devem ser aplicadas individualmente, sendo recortadas da folha quando requerido. Devem ser imersas em água, em recipiente adequado às suas dimensões e deixadas em repouso pelo tempo sugerido pelo fabricante, ou até que estejam adequadamente soltas do papel de suporte e possam ser removidas dele, por escorregamento, sem risco de quebra. Seu deslocamento do papel de suporte para a superfície do modelo deve ser feito com auxílio de pincel macio e pinça de ponta lisa e chata, e seu ajuste sobre a superfície pode ser facilitado com a adição de uma pequena quantidade de água no mesmo pincel. Quando a decal estiver na posição correta, deve-se remover o excesso de água encostando um cotonete ou um pedaço de papel absorvente em uma das bordas da decal. Tentando melhorar a aparência das decais, vários fabricantes têm produtos disponíveis para auxiliar a aplicação delas. Antes de aplicar qualquer deles, verifique a compatibilidade entre o produto e a decal para evitar o risco de estragos em seu modelo.

Após a aplicação de todas as decais sobre o modelo, deve-se aguardar sua secagem completa, que pode demorar até um dia ou mais, dependendo da temperatura e umidade do ambiente, antes de passar à etapa de finalização.

IMPORTANTE: algumas decais tendem a ressecar durante o armazenamento, tornando-se quebradiças e se esfarelando quando molhadas, inutilizando às vezes toda a folha. Assim, sempre é conveniente testar o comportamento da decal com um exemplar que não será usado no modelo. Se ela se desfizer ou quebrar, aplique uma camada fina de verniz brilhante sobre toda a folha de decais e, após a completa secagem, recorte cada decal rente às bordas e proceda como com os decais normais.

   

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Finalização do modelo

Para completar o modelo, ainda é necessário colar as peças mais frágeis que foram deixadas à parte nas etapas anteriores, tais como antenas, espelhos, armamentos, estaiamento etc.

Além disso, é importante lembrar que a maior parte dos modelos que são montados tenta representar uma situação de utilização real ou a reprodução de uma cena histórica, o que normalmente se traduz na necessidade de aplicar ao modelo marcas de desgastes decorrentes de sua utilização, sejam de origem pelas condições climáticas (mudanças de tons na pintura, pontos de ferrugem etc.), sejam pela deterioração do próprio uso (descascamento da pinturas, manchas de óleo ou de gases de exaustão do motor).

A sequência das fases de aplicação dos desgastes e colagem das peças mais delicadas dependem de cada modelo específico e da opção de cada modelista.

Antes da aplicação dos efeitos de desgaste, é necessário aplicar uma camada de verniz com a textura que se deseja para o modelo acabado, destinada a proteger a pintura e as decais dos efeitos dos solventes e das tintas que serão aplicados a seguir.

A aplicação dos desgastes deve ser feita com cuidado para não “emporcalhar” o modelo e deve ser baseada em material de pesquisa em literatura ou internet. As tintas que podem produzir bons resultados estão descritas em “Tipos de tintas mais usuais” e sua aplicação pode ser feita de diversas formas, dependendo da finalidade desejada, das quais são destacadas três:

Pincel seco (dry brush): técnica em que uma pequena quantidade de tinta sem diluição, de uma tonalidade mais clara que a da superfície a trabalhar, é colocada na ponta de um pincel chato de dimensão adequada ao modelo e removida com papel absorvente ou pano macio até que reste apenas um pouco de tinta no pincel, o qual é passado delicadamente sobre a área a clarear, deixando um efeito suave de transição de cor entre as áreas tratadas e não tratadas.

Aguadas (wash): técnica em que uma pequena quantidade de tinta, em tonalidade mais escura que a da área a ser tratada, é diluída em grande quantidade de solvente (que não dissolva as camadas anteriores da pintura) e aplicada com pincel redondo e de ponta fina nas áreas e linhas de painéis que se deseja realçar.

Aplicação direta de lápis coloridos, aquareláveis, metalizados, giz pastel etc., seguida pela distribuição ou remoção do excesso com cotonetes ou papel absorvente, secos ou umedecidos com solventes adequados.

No final, pode ser interessante aplicar mais uma camada de verniz sobre as superfícies tratadas para proteger o modelo em seu futuro manuseio. As máscaras ainda restantes de proteção para a pintura devem ser retiradas e os resíduos dos adesivos devem ser cuidadosamente removidos. Se as peças delicadas ainda não foram coladas, sua fixação deve ser feita com a menor quantidade possível de cola para evitar qualquer dano ao modelo.