Quando Edenilson assinou a renovação de contrato com o Grêmio em dezembro de 2025, parecia um final feliz. O meia de 36 anos, que chegou em abril de 2024 do Atlético-MG, havia se tornado peça-chave: 91 jogos, nove gols e nove assistências, líder em passes decisivos e segundo em minutos jogados na temporada. Mas o que parecia estabilidade virou uma virada inesperada. Em fevereiro de 2026, o jogador foi excluído dos treinos e jogos, e agora negocia sua saída para o Botafogo — uma mudança que expõe como decisões administrativas podem ser apagadas por novas lideranças, mesmo quando já estão formalizadas.
Renovação fechada, mas não celebrada
A renovação de Edenilson até dezembro de 2026 foi concluída sob a gestão do ex-presidente Alberto Guerra. O acordo incluiu uma redução salarial — algo raro para um jogador com seu desempenho — mas foi visto como um sinal de lealdade. Técnicos como Luiz Felipe Scolari e Mano Menezes defendiam sua permanência. Ele era o único titular com contrato expirando no fim de 2025, e sua liderança no campo, inclusive usando a braçadeira de capitão em alguns jogos, o tornava um símbolo de consistência. A assinatura final era só de Guerra, o que tornava o acordo juridicamente vinculativo. A nova diretoria, liderada por Odorico Roman, optou por respeitar o compromisso — mas apenas por fora.Queda brusca sob a nova comissão técnica
Tudo mudou com a chegada de Luis Castro como técnico em janeiro de 2026. O português, conhecido por seu estilo exigente e tática de alta pressão, não encaixou Edenilson em seu modelo. A virada aconteceu após a derrota para o São Paulo em janeiro: o jogador foi substituído aos 35 minutos, e nunca mais foi convocado. Nem mesmo para a semifinal da Copa GauchãoRio Grande do Sul, torneio onde o Grêmio é tradicionalmente forte. Apesar de ter jogado sete partidas e marcado três gols em 2026, sua influência foi considerada insuficiente. A comissão técnica passou a ver o veterano como um obstáculo à renovação do elenco.Um processo de desmontagem silencioso
A diretoria do Grêmio, sob Roman, já vinha liberando jogadores que não encaixavam no novo projeto. Tiago Volpi, Rodrigo Ely, Lucas Esteves, Camilo, Olivera e Jemerson já tinham deixado o clube antes de Edenilson. A estratégia era clara: reduzir salários, abrir espaço para jovens e romper com a lógica de contratações anteriores. O que torna o caso de Edenilson ainda mais curioso é que ele foi um dos poucos a aceitar corte salarial para permanecer. A própria mídia local, como o Correio do Povo, apontou que a renovação foi respeitada por razões legais, mas não por convicção. Ainda assim, a pressão dos torcedores cresceu. Nos estádios, os gritos de "fora Edenilson" se tornaram comuns — algo que, segundo o Zonamista.com.br, foi amplificado por sua postura mais reservada e falta de presença nas redes sociais.
Por que o Botafogo?
O Botafogo apareceu como a única opção viável. O clube carioca, em fase de reestruturação sob o comando de Diego Souza (técnico) e Carlos Augusto (diretor de futebol), busca experiência para o meio-campo e tem espaço no orçamento. Edenilson, mesmo aos 36, ainda tem condição física e inteligência de jogo para ser titular em um time que busca equilíbrio entre juventude e liderança. O acordo, segundo fontes da imprensa carioca, já está em fase final — com passaporte e exames médicos em andamento. A transferência deve ser anunciada até o final de fevereiro.Um exemplo de como o futebol moderno trata veteranos
O caso de Edenilson não é isolado. No futebol brasileiro, veteranos com bom desempenho mas que não são "fashion" — ou seja, não têm apelo midiático ou redes sociais — são cada vez mais descartados. Ele não era o jogador mais rápido, mas era o mais consistente. Fazia passes certeiros, marcava gols em cobranças de falta e organizava o meio-campo com calma. Sua saída mostra uma contradição: o Grêmio celebra a renovação como um ato de estabilidade, mas a execução da política esportiva é feita com um pé nas portas. O clube perde um jogador que, em termos de valor por salário, era um dos melhores do Brasil em 2025. E ainda enfrenta críticas por não ter sido mais transparente.
O que acontece agora?
O Grêmio ainda tem que resolver o contrato com Edenilson. A rescisão será por mútuo acordo, com uma compensação financeira — provavelmente parte do salário restante. Enquanto isso, o time busca um substituto. A tendência é que o clube aposte em um jovem de até 23 anos, talvez do próprio elenco juvenil. Mas será que alguém conseguirá repetir o desempenho? Em 2025, ele foi o único jogador do Grêmio com mais de 700 minutos jogados e mais de sete assistências. Isso não se replica facilmente.Frequently Asked Questions
Por que Edenilson aceitou uma redução salarial para renovar?
Edenilson aceitou a redução salarial porque queria permanecer no Grêmio, clube onde se sentia valorizado e tinha um papel central. Ele era o único titular com contrato expirando, e havia recebido propostas de outros clubes, mas optou por manter a lealdade. Além disso, a renovação garantia estabilidade financeira e evitava o risco de uma transferência forçada. A decisão foi vista como um gesto de compromisso, especialmente após o apoio de Scolari e Mano Menezes.
O que levou à exclusão de Edenilson da equipe em 2026?
A exclusão foi resultado da mudança de estilo tático de Luís Castro, que prioriza alta intensidade e movimentação constante. Edenilson, apesar de eficiente, não se encaixava nesse modelo. Após ser substituído no jogo contra o São Paulo, a comissão técnica o classificou como "fora do perfil". A ausência de convocações para a Copa Gauchão confirmou que ele não fazia parte dos planos futuros, mesmo com sua experiência e números.
Como o Grêmio justifica a rescisão após a renovação?
O clube alega que a renovação foi respeitada formalmente, mas que o novo técnico tem autonomia para definir o elenco. A diretoria argumenta que a decisão de rescindir se baseia em critérios esportivos, não administrativos. No entanto, especialistas apontam que o timing — logo após a renovação — gera suspeitas de má-fé. Ainda assim, legalmente, a rescisão por mútuo acordo é válida, especialmente com compensação financeira.
O que isso significa para outros jogadores veteranos no Grêmio?
O caso de Edenilson serve de alerta: mesmo com bom desempenho e contratos renovados, jogadores mais velhos não têm mais segurança. A tendência do Grêmio é priorizar jovens e reduzir custos. Outros veteranos, como o zagueiro Jemerson e o goleiro Volpi, já foram dispensados. A mensagem é clara: a era da lealdade baseada em números está sendo substituída pela era do perfil tático e da imagem.
Edenilson ainda tem condições físicas para jogar no Botafogo?
Sim. Apesar da idade, ele mantém excelente condição física, com apenas dois dias de lesão nos últimos 18 meses. Seu índice de desempenho por minuto jogado é superior à média da Série A. No Botafogo, onde o ritmo é mais controlado e o meio-campo precisa de liderança, ele pode ser titular. Ainda jogou sete partidas em 2026 com três gols — um ritmo que supera muitos jogadores da liga.
O que o caso revela sobre a gestão do Grêmio?
O caso expõe uma fragilidade na governança: decisões estratégicas tomadas por uma gestão são anuladas pela próxima, mesmo quando já estão formalizadas. Isso gera insegurança jurídica e desmotivação no elenco. Edenilson foi um exemplo de profissionalismo — e seu afastamento mostra que, no futebol atual, a lealdade pode ser ignorada em nome de mudanças rápidas, mesmo que custem reputação e desempenho.