Estreia com gol e três pontos na conta. Em sua primeira noite com a camisa da Roma, o brasileiro Wesley França foi o rosto de um começo promissor: vitória sobre o Bolonha na abertura da Série A e o primeiro gol do time sob o comando de Gian Piero Gasperini. Um lateral de 21 anos decidir o jogo logo de cara? É exatamente o tipo de sinal que empolga torcedor e comissão técnica.
Contratado do Flamengo em 28 de julho de 2025, com vínculo de cinco anos, o jovem chegou a Roma com a fama de lateral agressivo, técnico e acostumado a jogos grandes. Na estreia, entregou o pacote: presença ofensiva, boa leitura das jogadas e frieza na área. O gol saiu no segundo tempo, coroando a participação constante pelo corredor direito e carimbando uma vitória que vale mais do que os três pontos, pela simbologia do início de ciclo com Gasperini.
O jogo já tinha mostrado um prenúncio do que viria. Aos 38 minutos da etapa inicial, Wesley arriscou de canhota da entrada da área, a bola saiu à esquerda do goleiro, mas a mensagem ficou clara: ele não seria apenas um defensor contido nas quatro linhas da lateral. A intensidade seguiu após o intervalo, e a recompensa veio com a bola na rede — o primeiro tento da Roma na temporada e o primeiro do brasileiro pelo clube.
O jogo e a marca da nova Roma
Gasperini é conhecido por liberar alas, compressar espaços e acelerar o ritmo. A Roma ensaiou esse roteiro desde o apito inicial: linhas altas, amplitude pelos lados e pressão na perda. Wesley se encaixou como peça natural nessa engrenagem, ocupando o corredor, atacando as costas do lateral adversário e oferecendo opção contínua de passe para quem construía por dentro.
Mesmo sem transformar a partida em um festival de chances, a equipe controlou zonas importantes do campo e reduziu o Bolonha a momentos esporádicos. Quando precisou recompor, Wesley mostrou tempo de bola e leitura para cobrir a zaga, sem exagerar nos botes. Quando teve espaço, acelerou. Esse equilíbrio é raro em estreia, ainda mais num palco tático exigente como a Série A.
A dinâmica do lado direito foi o termômetro da partida. Com apoio do meia por dentro e do atacante flutuando entre linhas, o brasileiro variou entre cruzamentos de primeira e conduções curtas, sempre buscando a tabela rápida. Nos lances de maior perigo, a jogada começava com inversão longa para o corredor, encontrando Wesley já em vantagem corporal para atacar a área.
- 38' do 1º tempo: finalização de pé esquerdo para fora, mostrando confiança cedo.
- Início do 2º tempo: duas chegadas em velocidade, com cruzamentos que assustaram a defesa.
- Gol: infiltração pelo lado, presença de área e conclusão precisa para abrir a conta da temporada.
- Reta final: fechou bem o espaço por dentro, ajudando a segurar o resultado.
O desenho tático favorece laterais com passada longa e fôlego para ir e voltar. É assim que Gasperini construiu trabalhos competitivos: alas que terminam a jogada na área e retornam para formar linha de cinco sem a bola. Wesley cumpriu esse papel com naturalidade. Não à toa, sua atuação foi o destaque individual do jogo.
Quem é Wesley e por que a aposta faz sentido
Nascido em 6 de setembro de 2003, Wesley Vinícius França Lima foi lapidado no Flamengo. Chegou ao profissional e acumulou quilometragem em jogos decisivos. Na bagagem, taças que pesam: Libertadores de 2022, Copa do Brasil de 2024 e Carioca em 2024 e 2025. Em 2025, ganhou espaço também com a Seleção principal, somando duas convocações que aceleraram sua vitrine internacional.
Do ponto de vista de perfil, é um lateral que casa com a Série A moderna: forte no um contra um, bom passe curto, leitura para pressionar alto e atacar o espaço entre zagueiro e lateral adversários. Não é apenas corredor; tem técnica para jogar por dentro quando a jogada pede. Na Roma, isso significa abrir o campo para os homens de criação e, ao mesmo tempo, virar opção de finalização nas jogadas de infiltração. Exatamente o que entregou na estreia.
A transferência, fechada no fim de julho, aponta para um projeto de médio prazo. Cinco anos de contrato dão margem para evolução física e tática sem a pressa que costuma sabotar jovens na Europa. Detalhes financeiros não foram divulgados, mas movimentos assim, vindos do Brasil, geralmente trazem bônus por metas esportivas. Do lado do jogador, a transição é direta: sai de um clube acostumado à pressão e chega a outro com exigência constante. O choque cultural existe, mas o ambiente competitivo não é novidade.
Para o elenco, a chegada aumenta a disputa pela posição com nomes experientes do setor. Isso tende a elevar o nível de treino e oferecer variações ao treinador: jogo mais vertical com um ala agressivo ou uma abordagem mais conservadora, dependendo do adversário. Em campeonatos longos, ter esse leque é ouro.
Existe também um elo histórico interessante. A Serie A tem tradição de laterais brasileiros que marcaram época, e a própria Roma já viveu isso com Cafu em uma geração que ficou na memória. Guardadas as devidas proporções, a referência serve como farol: a liga valoriza quem entende o jogo sem a bola, escolhe bem a hora de passar e sustenta intensidade por 90 minutos. Wesley mostrou que sabe transitar por esse mapa.
No que diz respeito a desempenho, a estreia oferece três sinais claros. Primeiro, confiança: arriscou finalização com a perna não dominante e não se escondeu após o erro. Segundo, leitura: escolheu bem quando cruzar e quando conduzir, sem forçar lance. Terceiro, timing defensivo: soube recuar e fechar o corredor na reta final, ponto muitas vezes ignorado em atuações debutantes que empolgam só pelo gol.
Para Gasperini, é um reforço que permite calibrar a ideia de jogo logo na largada. Alas funcionais dão vida ao seu modelo. E quando o ala resolve o placar, a mensagem para o vestiário é simples: todo mundo é parte do gol. Para a torcida, ver um recém-chegado decidir acende a esperança de uma temporada com identidade — intensidade, amplitude e coragem.
No curto prazo, o desafio é manter o padrão fora de casa e em jogos de maior pressão, quando o adversário fecha os espaços do lado e obriga o ala a jogar por dentro. A boa notícia é que o repertório do brasileiro inclui esse movimento. Com mais entrosamento, a tendência é que as triangulações saiam mais rápidas e as chegadas à linha de fundo ganhem frequência.
Wesley sai da estreia com um cartão de visita difícil de ignorar. Gol, solidez e adaptação em 90 minutos. Para quem chega com status de promessa e quer virar realidade na Europa, poucas coisas são tão valiosas quanto impactar o jogo de cara. A Roma ganhou um resultado e, ao que tudo indica, um titular pronto para crescer com a camisa giallorossa.